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O Resgate do Reino dos Cavaleiros Sagrados, parte final

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Escadarias da Catedral de Lothian.

O quarteto liderado por Joshua, seguiu a toda velocidade conforme as instruções da aparição. Após alguns minutos de corrida, descendo caminho a dentro na grande construção, eles chegaram numa câmara retangular onde viram uma grande pedra alongada, em mármore já apresentando sinais de desgaste pelo tempo, possuía um formato monolítico, mas ainda possível de decifrar suas runas de anos incontáveis, apesar delas estarem desbotadas, ainda era nítido seu significado.

Esmeralda se aproximou e leu os dizeres que estavam numa linguagem rebuscada e elevada, ao proferi-las, pareceu aqueles que não a entendiam, que a jovem estava lendo e ao mesmo tempo cantarolando uma solene e gloriosa melodia que dizia no idioma celestial:

Sobre a vigília e testemunho desta Pedra Fundamental e com a benção de Tyr! – de repente a voz de Wenishay se uniu a de Esmeralda – se erguerá a maior casa de nosso padroeiro e uma nação de justos, para impedir que o fraco seja violado em seu direito e lembrar ao forte que ninguém está acima do julgamento divino! – a voz de Rufgard se uniu ao dueto – Aqui se formará o Reino de Ecnor, para sempre louvado, por séculos e séculos, enquanto houver um de seus filhos fiel aos ideais do Grande Justo.

A autoria era do primeiro sumo-sacerdote, Gary do Clã Ecnosis.

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Tyla, bem como os demais, se emocionaram.

Para Tinthalion, parecia seus companheiros haviam entrado em transe, cantando a melodia ao mesmo tempo em um único coro, com seus semblantes solenes e as mãos em seus peitos, finalizavam o cântico, pareciam emocionados, como se, saudosistas, lembrassem de acontecimentos passados ou prestassem algum rito obrigatório por estarem naquele lugar.

Markin deduziu que eles haviam alcançado a Câmara da Iniciação, e aquele obelisco era a Pedra Fundamental de Ecnor e de seu Primeiro Templo dedicado a Tyr. Mais recuado, no canto oposto a passagem por onde vieram, estava uma majestosa e grande estátua de uma mulher aparentando ser algum tipo de amazona do passado, sua escultura dava a impressão de ter sido produzida pelos mais finos artesãos (segundo contam, foi dada de presente juntamente com o Portão do Paladino, pelo povo anão do Norte), e a pesar do tempo, conservava os traços da mulher, como se tivesse sido acabada de ser produzida.

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Imagem ilustrativa da Estátua de Lothian. by_ilkerserdar

A Estátua de Lothian, uma obra de idos longínquos, que marcava o local onde jazia seus restos mortais (em baixo da estátua), contemplava a chegada de todos com um olhar austero, as mãos em concha, voltadas para baixo, onde as primeiras espadas dos recém ordenados paladinos eram deixadas envolvidas em água benta, bem como os símbolos sagrados de todos os seguidores de Tyr, aguardava o depósito.

A Estátua da Primeira Paladina – Lothian, os aguardava com as mãos estendidas. Antes que pudesse colocar o cabo nas mãos da estátua, o grupo foi repentinamente atacado por gárgulas que os seguiram, silenciosamente, elegendo aquele local para emboscá-los. Após um breve e rápido combate, eles venceram as criaturas.

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Terríveis gárgulas atacaram.

A estátua da primeira paladina de Tyr, em fim, recebeu o tributo das mãos de Joshua (o cabo da espada sagrada que ele carregava), que em seguida, todos viram que os braços levemente se moveram, como se o peso daquela peça fosse o gatilho para alguma reação, e assim o grupo contemplo, de um outro canto da sala, um portal de pedra se desprender das paredes, revelando a passagem para a Câmara da Lâmina Sagrada. Enquanto deixavam a sala, todos cumprimentaram a imagem da heroína do passado e seguiram, sob seus olhos vigilantes.

O grupo adentrou a Câmara da Lâmina Sagrada, numa plataforma de pedra, como uma ponte, que se conectava a um grande espaço semicircular, erguido em meio a um abismo em cone, ao qual não era possível mensurar as metragens.

Era possível verificar que o lugar era repleto de runas e inscrições celestiais, além de imagens, na plataforma em que pisavam, nas paredes e no teto, elas arremetiam a fundação da Fé em Tyr, de Ecnor e da Ordem dos Paladinos de Toran.

Uma construção deveras fantástica, que era somente acessada pelo Alto Clérigo da Fé e era utilizada como câmara para iniciação para aqueles que acessariam o cargo. No centro da câmara havia um pequeno e simples altar com uma tênue luz continua sobre ele, que continha sobre sua superfície lisa, uma lâmina sem cabo, que parecia pertencer a uma espada longa.

Os ecnoritas ficaram extasiados com a descoberta, mas Tinthalion convocou todos para a realidade e objetividade da missão, movendo-se em direção ao altar, fazendo com que todos despertassem de suas contemplações.

Tomando a iniciativa para resolver a situação, Markin pisou na ponte e se adiantou rumo a plataforma, contudo percebeu uma estranha entidade, que em forma de luz, deslocou-se com uma velocidade aterradora contra o intrépido heróis, que sentiu uma poderosa força luminosa que o impulsionou para trás, se interpondo em seu caminho rumo a plataforma.

Foi quando todos perceberam que a entidade, que estava curvada sobre a ponte, era uma criatura que parecia um cavaleiro humano, trajando uma levemente brilhante armadura completa, seu rosto era coberto totalmente pelo elmo fechado, que impossibilitava uma visão clara de sua face, sua proteção metálica deixava à mostra um par de grandes asas de pássaro, que se movimentavam e possuíam uma luz própria.

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A estranha criatura impediu o avanço dos heróis.

Enquanto Tinthalion retornava para o local onde estavam seus aliados, Esmeralda, quase sem palavras, sussurrou com uma voz quase rouca:

– Esse ser é um anjo! Provavelmente deve ser o guardião deste local sagrado. Como faremos?!

Enquanto isso, longe dali, um forte estrondo abre o Portão do Paladino, antes da poeira baixar, muitas criaturas começaram a passar como borrões em meio aquele névoa. Uma horda de diabos finalmente conseguiu adentrar Ecnor, ao dissiparem o selo mágico colocado por Zell. Liderados por uma poderosa criatura que ficou nas sombras da passagem, Sahaquiel, que observou os diabos seguirem para o interior de Lothian, sem se mexer, como se estivesse desconfiado.

Após a queda dos combatentes Rudolf e Galahad, apenas Garibaldi e Anna eram, agora, os únicos a enfrentarem Goltana, quando todos ouviram um poderoso e retumbante estrondo similar ao barulho de muitos trovões ecoando pelo céu. Todos os combatentes pararam, olhando do portão de entrada da catedral, o horizonte da cidade em busca de uma resposta para aquele grande barulho, que parecia anunciar uma calamidade vindoura.

Quando a imagem espectral de Tyfrass ressurgiu diante deles. Inicialmente Goltana assumiu uma posição defensiva, como esperando por algum golpe já recebido outrora daquela figura, no entanto, a imagem, ignorando os combatentes dirigiu-se unicamente para o Cavaleiro da Morte, lhe dizendo com voz severa e imperiosa:

– Cavaleiro, é sua sagrada missão deter o avanço de qualquer criatura maligna que adentre os domínios de Lothian, seus domínios! – a figura apontou para o horizonte – Eis que se aproximam, aqueles que você não imaginou que interfeririam em seus planos. Você foi enganado pelos cultistas a quem vendeu sua alma. Mas agora, jaz a oportunidade ímpar de se dirimir pelo grave erro cometido.

Vá Cavaleiro Goltana! Mostre, se puder, quanto pode a sua força e alcance sua redenção! – a imagem sumiu ao ver um leve brilho no olhar do morto-vivo e um breve acenar de seu elmo.

Em seguida, como que perdendo o interesse no combate ou num lampejo de sanidade recobrada, o Cavaleiro da Morte deixou a guardiã e o guerreiro para trás e partiu, convocando uma montaria fantasmagórica.

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O Cavaleiro da Morte Goltana partiu em sua última cavalgada.

Enquanto isso, na Câmara da Lâmina Sagrada, o quarteto formado por Wenishay, Markin, Tyla e Esmeralda observaram atônitos ao anjo que se ergueu diante deles e lhes disse:

– Eu sou Bhradiel, guardião da Lâmina de Tyr e tutor dos sumo-sacerdotes do Grande Justo, Senhor da Balança, A Lei Divinal.

Diferente do Alto Clérigo, somente darei passagem ao protegido pela profecia, “quando aquele que morreu injustamente retornar para trazer justiça, quando o portador da sagrada empunhadura atravessar a Ponte dos Justos e reativar a Excalibur, quando o paladino caído retornar e quando aquele que for mal defender o bem! ” –o anjo se ergueu com uma belíssima lâmina que se incendiou, ficando em posição de alerta.

Entendendo o que o anjo falou, Wenishay sacou a Empunhadura da Espada e avançou destemidamente, percebendo que a criatura não esboçou reação diante de seu avanço, prosseguiu, passando por ela rumo ao altar.

Ao chegar no mesmo, sentiu um arrepio e percebeu que a tênue iluminação pareceu ficar mais forte, enquanto ele ouviu um som, como o de harpas ecoando pela sala.

No pátio de entrada de Lothian, uma trupe de diabos em sua marcha por reconhecimento do território invadido, começaram a destruir algumas das estátuas em seu progresso ao perceberem o que era, apenas por diversão, quando subitamente perceberam, inicialmente, o chão sob seus pés esquentar e depois, explodiu em uma enorme bola de fogo, eles até resistiram, contudo, o poder do fogo foi ficando intenso do que eles estavam habituados a suportar, sendo completamente desintegrados pela chama de Goltana, que surgiu em todo o seu mórbido esplendor, com sua funesta montaria, acompanhado pelos mortos-vivos remanescentes, para a marcha final contra os novos invasores, num grande batalha, com a qual, o sombrio Sahaquiel não esperava, enquanto mantinha o Portão aberto para a passagem de mais diabos, a sinistra criatura sentiu um aterrador arrepio.

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Das sombras Sahaquiel observou com um mal pressentimento.

Na câmara sagrada, Joshua Wenishay, segurando as duas partes da Espada de Tyr as uniu – um poderoso brilho surgiu a partir da arma e encandeou as vistas de todos os presentes.

Ao reabrirem os olhos, para a surpresa de todos, a sala estava, em toda a sua extensão, repleta de anjos translúcidos de pura luz, contudo, aquilo que os deixou mais perplexos, foi em meio àquela legião angelical, terem identificado a figura materializada de um grande, forte e austero senhor, tinha apenas a mão esquerda e longos cabelos castanho-grisalhos. Com um olhar severo, disse com uma poderosa e retumbante voz:

– Toda a injustiça encontrará seu fim e todo o erro será corrigido, enquanto o justo perdurar inexorável! Que o malfazejo seja desfeito e este território retorne ao seu lugar de direito!

Ao dizer essas palavras, um grande faixo de luz tomou toda a câmara, e de repente, apenas os heróis ficaram na sala. No momento em que desapareceram, Wenishay, que estava mais próximo, observou a divinal figura estendendo sua única mão em direção a ele.

Entendendo o que deveria ser feito, Joshua entregou a espada que reluzia como a aurora de um novo dia, na mão da divindade, a arma aumentou de tamanho ficando proporcional ao deus. Enquanto isso, no cinturão de Poderkaine, sua espada sagrada trepidava e exibia um filete leve de brilho. Olhando na direção dele, o ser divino disse:

– Muriel, você fez um bom serviço. Agora, eleve-se para o descanso dos justos! Deixe que este paladino continue o bom trabalho e honre seu legado!

Dizendo essas palavras, um clarão surgiu e Joshua pode ver a espectral e clara imagem de uma jovem guerreira portando uma espada similar à que carregava. A imagem lhe sorriu e subiu, desaparecendo em seguida num novo faixo de luz, junto com o a entidade.

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A Paladina Muriel, lhe sorriu e partiu.

Do alto das escadarias da Catedral da Justiça Vigilante, parcialmente recuperados, Alan, Anna, Gérard e Rudolf viram os céus da obscura Capital de Ecnor sendo riscado por luzes, uma falange de anjos que desceram varrendo todos os diabos que encontraram pelo caminho, enquanto outros removiam o véu de sombras, enquanto uma poderosa luz liberada do alto da catedral ia lentamente removendo a aparência funesta que a cidade exibia.

Esmeralda, Joshua, Markin e Tyla chegaram a tempo de assistirem extasiados e contemplativos o brilhante e poderoso retorno de Lothian ao plano material, enquanto um céu azul, sem nuvens exibiu um irradiante e caloroso sol, indicando assim o término daquele terror e o fim da ameaça que pairou sobre Ecnor, o Reino dos Cavaleiros Sagrados.

Quando viram os pássaros passando novamente pelos céus da cidade, o grupo se regozijou em um grito de glória encabeçado por Rudolf e finalmente entraram em júbilo se abraçando, pulando e comemorando a grande vitória, a medida em que viram as pessoas novamente andando pelas ruas, atônitas como se tivessem passado por um sombrio e duradouro pesadelo, do qual haviam acabado de despertar.

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Ecnor retornou para Crivon, graças aos heróis.

Lothian estava de volta, mas ainda haveria muito a ser feito…

*Para ver o epílogo desta aventura, clique aqui.
*Para ver a Caçada Insana, clique aqui.

Criação e elaboração: Patrick, Bruno Santos, Aharon Freitas
Fonte da imagem da capa: acervo pessoal – desenhista: Shin;
Fonte de imagens: acervo da internet.

O Resgate do Reino dos Cavaleiros Sagrados, parte final
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2 Comments

  1. Levei mais tempo do que deveria para ler essa épica história.

    Confesso que tive que ler duas vezes para manter a emoção que as escritas me propiciaram como jogador de Wenishay. Um contato divino,!? Isso é algo que não estava na lembrança de Wenishay, algo magistral, único e simplesmente mágico demais para ser esquecido.

    Só com evidências como esta é possível compreender o comportamento de um paladino, seu fanatismo pelo que é certo, bom – justo. Wenishay viveu o epítome de sua carreira nesta aventura, em todos os seus momentos mais cruciais.

    Duas coisas foram simplesmente indescritíveis – O que Wenishay fez com as duas parte da espada de Tyr, unindo-a e a entrega dessa lâmina magistral para o próprio senhor de todos os paladinos, a personificação máxima da justiça – Tyr.

    Acho que lerei esse texto mais vezes…

    Parabéns DM. Patrick, Crivon é um universo simplesmente fabuloso e isso é fruto de seu interesse e dedicação neste hobby maluco que é o RPG.

    São com coisas assim que tenho plena certeza que resgatar a história dos Cavaleiros da Luz Celestial e jogá-la foi a melhor decisão que tomamos nesse hiato que o cenário atravessou em topor.

    Parabéns e Obrigado!

  2. Quem bom Bruno! Fico muito satisfeito em perceber que com os textos tenho colaborado para aprimorar e melhor nosso bom divertimento.
    Abraço

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