Orbe dos Dragões

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Aventuras em Crivon, Crivon

Uma cura para o combalido capitão, 1ª parte

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Personagem envolvido:
Forflin dos Muitos Livros – anão da montanha – mago

Chegando ao Haras do Unicórnio Cinza

Um pequeno sapo esgueira-se de uma mão a outra de Forflin, tremulando o papo e com o olhos curiosos a observar a vela tímida ao canto de um aposento de descanso. A lua já se mostra ao zênite, e o ar desta noite parece ser mais pesado que de semanas atrás.

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Pequeno sapo de Forflin.

“Dia corrido. Muitos fatos nos surpreenderam”. Suspirou o anão.

A memória ainda está assustadiça, apesar de cansada…

O bater das botas na soleira da porta é seguido por um rodopiar do braço sobre a cabeça no esforço de descobrir-se da pesada  capa azul real, que, uma vez dobrada ao meio, é posta num gancho apropriado na entrada da luxuosa casa. Estar naquele recinto não é tarefa atrevida para um anão vindo de uma floresta sinistra e de embates perigosos, mas um alívio e uma recompensa para a pessoa que ainda merece o bom calor da lareira e apreciar os aromas próprios das ricas tapeçarias de um feitor.

Com muita simpatia o Mestre Blen do Haras nos recebeu – eu e os três colegas de armas – em sua casa servida por bons criados. Joias, quadros, tecidos finos, prata e ouro são ornamentos comuns para os feitores em ascensão, que não se intimidam em mostrar bom gosto e a boa capacidade administrativa com as riquezas. Além daquela casa decorada nas tonalidades amadeiradas, com sobrepostos verdes e vermelhos da tinturas dos muitos panos e brilhantes de metais e pedras caras, aqui e ali, parcamente iluminadas por velas bem posicionadas, aquele cenário de recompensa era completado com sua alegria, devido a recuperação dos equinos perdidos e externada com um suntuoso jantar e longa conversa.

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Mestre Blen do Haras Unicórnio Cinza

Nas idas e vindas dos relatos da floresta, Blen não deixou de demonstrar sua imprudência ao insinuar elogios aos Goblins – ainda que ladrões – por bem cuidar dos seus cavalos, mas demonstrou clara preocupação com as recentes incursões orcs na região. Tudo quanto estabelecido no contrato da pequena companhia fora devidamente cumprido, com o pagamento do montante em ouro. Em ouro e mais um pouco.

Naquela boa ocasião o mestre Blen se deixara admirar, e com razão, pela boa avaliação feita da joia de família que utilizava no pescoço, bem ornamentada e de inigualável valor naquelas redondezas, rendendo ao sr. Muitos-livros uma indicação junto a parentes próximos de Belbelard na Cidade Morth para o ofício numa joalheria, convidando-o a se utilizar da boa cama de um de seus aposentos, fato que foi prontamente aceito pelo cansado anão. Certamente, os conhecimentos dos anões de Murkh`abad na confecção de bons produtos de pedras e metais vingará interessantes diferenciais nas cidades da superfície.

Foi-se o último gole de chá, e com ele as últimas palavras daquela conversa que já tardava, enquanto os demais membros da singular companhia, escusados ao sair mais cedo do jantar, adiantavam seus negócios no vilarejo.

Um líder envenenado

O ponto de encontro seria a torre da guarda, centro da defesa e de partida de postagens da vila, onde nos sentimos obrigados a ir para relatar os eventos estranhos da floresta às autoridades locais. Tal ocasião seria bem própria para encaminhar por escrito as primeiras notícias das terras iluminadas pelo sol para os salões da Montanha do Escudo. Porém, as ruas estreitas e pacatas do vilarejo se mostravam mais ariscas que nos dias de chegada. O movimento de soldados para todo o lugar e alguns rostos de semblante preocupado prenunciavam o que se ouviria na própria Torre, cujo acúmulo de guardas dificultava em muito a entrada de um elemento de 1,50 metros de altura. Se não fosse por Igor saltar de dentro pra fora às pressas, o caminho não seria aberto pelas atenções chamadas a algum discurso que corria lá no hall de entrada.

Interpelado sobre para onde ia, Igor respondeu:

“- Estou indo em casa para me preparar para a próxima missão. Será muito importante! Tunderlad e Edgar estão lá dentro com o sargento, vá ouvir e dizer o que acha. Nos encontramos depois.”

O tremular das tochas figuravam a ansiedade abatida sobre o sargento Murdock e os dois camaradas, Edgar e Thunder. Em sua cota de talas e espada bastarda na cintura, o oficial de cabelos negros e rosto castigado do exercício militar, demonstrava grave preocupação.

Murdok_1-by-Shin-600x384 Uma cura para o combalido capitão, 1ª parte

O apreensivo Sargento Murdock – Murdok por Shin

Relatos de Forflin: Os indícios encontrados naquele dia na Floresta do Medo, não eram desprovidos de sentido. Pois um regimento de Orcs Rasga Árvores assaltara de surpresa as redondezas da vila, promovendo baixas significativas nas defesas, e ferindo gravemente o líder da região, com uma flecha envenenada. Tal ferimento potencializado com um veneno, poria fim a vida do capitão, único capaz de unificar e organizar as forças adequadamente contra um iminente ataque inimigo, sendo possível apenas mantê-lo vivo por algum tempo, até que suas forças estejam definitivamente esgotadas.

O combate no fronte é, porém contínuo, exigindo o máximo dos oficiais remanescentes e soldados. Nesta agitação de fatos, em meio a um campesinato recolhido, um grupo de ação de apoio foi exigido.

A vida do Capitão Uthigar ainda não está perdida, e conforme relatos do sargento Murdock, um druidesa chamada Morigan Ente Negro seria a única capaz de neutralizar definitivamente o veneno, que parecia ser de origem draconiana.

Tal empreitada nos levaria novamente às bordas da Floresta do Medo, lugar inóspito, e a busca por tal druidesa poderia ser ainda mais perigosa considerando os assaltos de guerra nas redondezas da vila. As tropas de ordem da cidade não titubeariam em fornecer a devida recompensa para trazer a Ente Negro (sendo ofertado a cada integrante a quantia de 100 peças de ouro em caso de sucesso), incentivaram ainda, com 5 peças de ouro, por cada vida de orc ceifada pelo grupo de apoio (desde que lhes trouxessem as cabeças como prova). De minha parte, nem tanto pelo ouro, mas por conhecimentos que a tal Ente Negro poderia fornecer no que trata dos conhecimentos arcanos e das forças que agem em Toran (estes eremitas costumam saber muito e falar pouco), e tanto mais pela vida do capitão que poderá salvar muitas outras vidas neste vilarejo, esta empreitada me interessou.

Forflin, pagou 5 peças de prata para que o mensageiro levasse uma carta sua para o posto de postagens centrais. Sendo que o mesmo partiria imediatamente para levar as notícias do conflito mediante carta escrita pelo sargento, que pediria reforços a xerife mais próxima.

Aconselhados por Forflin, o trio decidiu que comprariam uma mula de Blen para carregar seus pertences, partindo para se prepararem para a partida pela manhã bem cedo, rumo a Floresta do Medo, em busca da druidesa Morigan Ente Negro e de uma cura para o combalido capitão.

Relato de Forflin: “Bom caro amigo”, disse Forflin recolhendo o diminuto sapo em seu habitat da bolsa, “longe vai meu pensamento, e já se faz tarde. Ao amanhecer deveremos carregar as coisas em uma mula e encontrar Igor, Edgar e o camarada Thunder. Deixe-me apagar esta vela.” [sopro forte].

Para ver a continuação, clique aqui.

Elaboração do resumo: Forflin dos Muitos Livros
Revisão e acréscimos: Patrick Nascimento
Fonte de imagens: internet
Fonte da imagem do Sgt. Murdock: acervo pessoal
Autor da imagem do Sgt. Murdock e capa do artigo: Forflin dos Muitos Livros

Uma cura para o combalido capitão, 1ª parte
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2 Comments

  1. Excelente narrativa. Belo tom poético e capacidade de prender a leitura em um nível quase hipnótico.

    Muito bom Shin!

  2. Quanta riqueza de detalhes!! Mal posso esperar para começar a jogar, e ter oportunidade de unir Lyli Ente Negro a Forflin dos Muitos Livros.

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