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1 – jaula dos prisioneiros aberta, clique aqui 

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Por Forflin dos Muitos Livros

141e3-forflin2bna2bsaida2bda2bmina2b-2bby2bshin-724x1024 Digressões de um ingênuo mago

Forflin dos Muitos Livros – auto retrato

Digressões de um ingênuo mago

“Muito tempo se passou desde a minha partida da Montanha do Escudo a pedido de meu humilde pai, a serviço da realeza do povo da montanha. Devem estar  preocupados, sem dúvidas, pois desde então nenhuma mensagem minha chegou aos seus olhos. Mas, de fato, a situação exige preocupação. Não encontrei eu mesmo a minha carta manchada com o sangue do mensageiro decapitado? Pois que então seja o meu silêncio imposto pelo destino a perfeita mensagem a dar ao meu povo.”

Forflin se põe a folhear seu grimório com as mãos sujas de terra. A lembrança do guerreiro morto covardemente por um orc há algumas horas atrás ainda o atormenta. Sujas de terra e sangue, encontram-se suas mãos, e isso o incomoda.

“Alexander Brussel, era seu nome. Pobre homem posto em cova rasa por força da situação…” – pensa ao olhar brevemente às luzes do dia que se esvaem vagarosamente entre as aberturas das árvores da floresta.

Ele tenta limpar um pouco de tanta sujeira nas bordas de sua capa surrada, em condições não tão melhores que as suas mãos, e torna a voltar os olhos ao seu grimório como se estivesse a buscar algo na memória e não exatamente nas folhas.

“Bela explosão que evoquei contra aqueles dois orcs que nos enfrentariam, a mim e a Sigurn… Mas algo deu errado, pois resistiram ao empuxo sonoro decorrente da onda trovejante!…” – pensa lentamente o taciturno erudito – “…bom a pronuncia estava certa: BAKRAZ SAKAUD. BA-KRA-Z…” – sussurra em tom grave.

Vira mais uma página do grimório.

“Bom, de qualquer forma hoje entendo melhor a importância das armas. O metal é muito cruel, é muito rápido também. Os caminhos discretos dos poderes destruidores, inscritos em runas e línguas antigas, exigem estudo e tempo. E por vezes a mente está muito cansada para evitar o golpe do machado.”

Sorri Forflin

– “…que esteja o braço pronto a levantar o escudo e a empunhar a lâmina feroz, quando a mente fatigada fraquejar. Afinal, acredito que Sigurn e Delgrin têm sido ótimos guias e inspiradores nas fileiras de frente e no trato com as armas.”

Mais uma folha se vai, e o som do folhear do grimório se confunde com a leve brisa e o som das plantas e das árvores.

Lê e balbucia as palavras do título que surge aos seus olhos: “KA-ZAK GHU-LL”.

Banimento de Batalha é o significado, e nesta folha encontram-se alguns símbolos e sinais que parecem descrever os efeitos e as forças envolvidas no calor do combate capaz de estraçalhar e surpreender os inimigos. Nesta página há história também. A história de um erudito anão de tempos passados, que aprisionado por grades mágicas foi capaz de se conter em um canto da cela e concentrar energia em uma área distante de si, próxima às cadeias metálicas enfeitiçadas, e gerar uma explosão repentina que despedaçava objetos e criaturas. Assim fugiu esse anão e viveu para escrever que as energias dos raios (dias ou noites de tempestade) e das rochas auxiliam na concentração deste efeito.

E por um momento o pensamento de Forflin escapa novamente, e seu olhar se torna vazio nas páginas, e confundem-se nessa história. “Frida, a mulher da cela. Muito estranha aquela mulher. Pobre senhora que sofreu o ódio dos orcs, por sorte escapou daquela prisão maldita… Sua vingança contra o orc rendido era justa, mas seu proceder, admito, me gera desconfiança.”

Continua, “por pouco não leva uma estocada de um orc, naquela emboscada nas árvores… mas não me pesa ter ajudado ela, aliás, não seria capaz de permitir tamanha insensatez contra uma mulher… mas não acredito que ela não seja capaz de cometer uma insensatez contra nossa pequena comitiva…”

Um estridente som rompe a tarde e as digressões do pequeno mago. Seu olhar rapidamente se vira a observar em direção do estranho foco daquele tenebroso berro.

Suas mãos cansadas fecham o grimório.

“O quê foi isso? Quanto tempo se passou?”.

Suas botas firmam no chão, e seus braços contornam o ar para ajustar a capa e o chapéu em um só movimento.

O grimório é posto em sua bolsa, enquanto que maneja sua maça e o escudo, testando-lhe a resistência e a qualidade. E põe-se a caminhar em direção dos demais companheiros de comitiva, a formular em sua mente observadora a próxima pergunta aos colegas.

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Criação e elaboração: Shin
Fonte de imagens: de autoria de Forflin dos Muitos Livros

Digressões de um ingênuo mago
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