Orbe dos Dragões

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Aventuras em Crivon, Crivon

Jaula dos prisioneiros aberta

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Personagens envolvidos: 
Delgrim Escudo Dourado – anão da montanha – guerreiro
Juliette Tasselroff – endoariana (humana) – ladina
Forflin dos Muitos Livros – anão da montanha – mago
Sigurn Escudo Abençoado – anão da montanha – guerreiro

Jaula dos prisioneiros aberta

O grupo contemplou os últimos orcs desaparecendo em meio ao limiar do acampamento que outrora pertenceu a eles. A estratégia empreendida pelos aventureiros sobrepujou os números e a tenacidade daquelas criaturas, que em meio à confusão e ao caos eles foram derrotados. Rapidamente, os vitoriosos membros da comitiva começaram a tratar de seus assuntos enquanto Sigurn contemplou a jaula aberta a sua frente.

Em meio aquele ambiente que havia se tornado um pequeno campo de batalha, Delgrin, havia aberto a jaula onde estavam os prisioneiros e sem se dar conta dos demais ali, agarrou seu combalido ex-líder e o arrastou até a barraca onde havia encontrado o orc xamã (derrotado por Sigurn), na expectativa de encontrar algum unguento que permitisse tratar os ferimentos de Glader. O veterano de muitas batalhas estava em condições lastimáveis, sua mão direita havia sido decepada, em seu lugar havia um pano imundo, fétido e escurecido pelo sangue e pela terra, seu rosto e corpo exibiam muitos hematomas, como se houvesse passado por muitas surras para ser contido, mesmo assim, o guerreiro parecia persistir e balbuciou algumas palavras em voz baixa em seu idioma natal. Fazendo muito esforço para ouvi-lo, Delgrin conseguiu discernir o que o ex-líder tentou lhe dizer:

“- Deixe me Delgrin…. Estou imprestável para continuar…. Serei um estorvo! Me mate!”

Entendendo o que Glader queria dizer, o nobre anão rejeitou com rispidez a proposta do amigo, dizendo-lhe para parar de besteiras, pois eles deveriam sair dali juntos. Apesar da proposta do velho Glader, o anão mais jovem estava resoluto a cuidar de sua antiga liderança e tirá-lo dali o quanto antes. Glader não teve mais o que dizer e se deixou levar por Delgrin que vasculhou a tenda encontrando duas poções de cor verde-musgo e um da cor âmbar. As pressas, recolheu aquelas poções ignorando algumas moedas espalhadas e rapidamente deixando aquela barraca cujo ambiente era fétido e lúgubre, repleto de fetiches e oferendas ritualísticas, por acreditar que não seria adequado para tratar dos ferimentos de Glader.

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Glader, delirando, desejou ser deixado para trás.

Enquanto isso, Forflin recomendou a Juliette que ficasse de prontidão para o caso de orcs que pudessem se aproximar sorrateiramente da comitiva e seguiu rumo a gaiola, na expectativa de ajudar os cativos recém libertos. A ladina tratou de subir numa das árvores ao redor e ficou observando a comitiva trabalhar e atenta a aproximação de qualquer inimigo.

Forflin já se encontrava com Sigurn, que investigou os cadáveres dos orcs abatidos e reuniu tudo aquilo que não julgou nojento e útil para o caminho que seguiriam após ali, pois para o experimentado guerreiro estava claro que aquele lugar não seria propício para a permanência prolongada daquela comitiva. Quando o anão mago se aproximou do ponto onde estava, ambos foram surpreendidos por uma figura, que de dentro da jaula, se levantou, assustada e confusa, gritou para os anões, enquanto segurava as barras com força:

“- Por favor senhores! Me libertem! Eu posso ser útil!”

Era um humano, de olhos verdes e argutos, tinha uma estatura alta, apesar de magro possuía uma pança proeminente e rígida, vestia-se em tons de verde oliva e musgo, demonstrava ser um homem por volta dos 30 outonos, com o rosto liso e bochechas rosadas, exibiu entre seus machucados um ferimento no canto superior esquerdo da cabeça, onde seu curto cabelo castanho estava manchado com sangue seco, no que denotou ter sido proveniente de algum golpe sofrido, além de um grande ferimento, quatro linhas em paralelo, em seu braço direito. O ferimento parecia ter sido tratado com uma grande atadura improvisada com algum tecido, apesar do improviso, fora executada com muita habilidade.

Os anões olharam para o homem sem entender o porquê de sua apreensão, pois atrás dele a jaula estava aberta. Enquanto Forflin tentava acalmá-lo, Sigurn serenamente apontou para trás do homem, que ao perceber que estava livre, diminuiu seu estado sobressaltado e olhando desconfiado, se dirigiu até a saída de sua prisão demonstrando vergonha pela confusão, enquanto evitou, com cuidado, tocar os corpos dos demais que estavam naquela jaula.

A dupla percebeu que dentro do local, haviam outros prisioneiros que careciam de cuidados, como um homem desfalecido com a mão direita mutilada, trajava farrapos e restos de uma armadura de malha metálica arruinada, parecia algum tipo de guerreiro, mas estava em péssimas condições, próximo ele havia o corpo de um homem com ambos os antebraços mutilados em meio a uma poça de sangue já endurecido exalava um forte mal cheiro com moscas a sua volta, denotava que havia perecido a algum tempo.

Chamou a atenção de Sigurn, uma humana entre os prisioneiros, trajava farrapos, tinha uma pela bronzeada e um estilo de cabelo bem trançado, um de seus olhos estava inchado, quase fechado, o anão deduziu que ela deveria ter sido vítima de algum tipo de covardia. Ela aparentava estar inconsciente, mas o guerreiro percebeu quando a mulher abriu rapidamente o olho bom para espiar seus libertadores e o fechou novamente, como se quisesse fingir estar desmaiada. Sigurn alertou Forflin sobre a mulher, e o arcano ficou atento a ela.

Percebendo que pouco havia a se fazer, pois apesar de terem libertado os prisioneiros, nenhum deles tinha habilidades para tratar as enfermidades dos feridos, os anões interpelaram o homem que deixou a jaula, pegando um chapéu próximo ao chão da saída, ele o limpou em sua calça surrada e disse a dupla:

“- Me chamo Rickster. Sou mateiro e aprendiz da curandeira Freya. Vocês são soldados da Cidadela Tempo de Elorian (CTE)? Não parecem, pois não vejo as insígnias da cidade. Mesmo se não forem, lhes sou imensamente grato pelo que fizeram. Esse orcs me haviam feito cativo. Mas o que fazem aqui, num lugar tão perigoso? São aventureiros?”

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O estranho se chamava Rickster.

Ignorando as perguntas do estranho homem, Forflin e Sigurn perceberam a aproximação de Delgrin, que arrastava um quarto anão de aparência sofrida e muito machucado, também exibindo uma mutilação em sua mão esquerda, onde um trapo sujo e fétido parecia atrair a aproximação de moscas.

Ao se reunirem, os três, em sua língua natal começaram a traçar o próximo passo que dariam dali. Decidiram que deveriam deixar o local o mais rápido possível. Chamaram Juliette para próximo deles e após reunirem mais itens espalhados pelo acampamento (entre armas, equipamentos e algumas moedas), dentre aqueles que não acharam de baixa qualidade ou nojentos o suficiente para serem levados, decidiram partir. Vendo que o grupo se preparava para partir, Rickster os interpelou dizendo:

“- Vejo que conhecem esse anão. Posso ajudar vocês com ele, mas precisarei de água limpa e panos em boas condições, precisarei trocar esse farrapo ou seu amigo poderá piorar.”

Enquanto pararam brevemente para prestarem esse auxílio a Glader, Forflin se dirigiu para a mulher caída, de forma que ela pudesse entender bem que o anão falava com ela e disse de forma severa:

– Mulher, levante-se, vamos partir a qualquer momento, é melhor que siga conosco. Não há mais ameaças para que continue a fingir a estar inconsciente. Vamos! Levante-se!

Notando que havia sido descoberta, a mulher abriu o olho e desajeitadamente se levantou dizendo:

“- Desculpe senhor anão. É que tenho muito medo dos orcs e apesar da vitória de vocês, sei que ainda existem outros por aí. Me chamo Frida e foi capturada pelos orcs na estrada que meu grupo havia tomado para Unicórnio Cinza.”

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A mulher se chamava Frida.

Intrigado, Sigurn perguntou a mulher, que parecia olhar com preocupação para o homem morto que restava na jaula, se ela conhecia ele, ao que a estranha lhe respondeu prontamente:

“- Não o conheço senhor. Quando cheguei ele já estava morto.”

Sigurn novamente perguntou sobre o outro homem, cuja armadura estava destruída mas que ainda era possível identificar que estava vivo, por conta de sua respiração, ao que Frida respondeu:

“- Esse também estava aí quando cheguei, mas estava acordado antes. Ele teve a mão cortada após fracassar em tentar ajudar uma elfa que estava presa conosco a fugir. “

Nesse instante, Juliette se aproximou da jaula e percebeu que o homem se tratava de Sir Alexander Brussel, ao identifica-lo, entrou rapidamente na jaula, se aproximou dele e falou exasperada:

– Sir Brussel?! Graças aos deuses! Está vivo! Consegue me ouvir?

Num fraco esforço para responder, o combalido combatente respondeu a ela que conseguia ouvi-la e que estava contente em poder perceber que ela ainda estava a salvo.

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Juliette encontrou Alexander Brussel, agonizante.

O grupo ao perceber que a ladina conhecia o prisioneiro, prontamente ajudaram a tirá-lo de dentro da jaula, mas o homem, devidas dores e machucados, desmaiou. Interpelado pelos demais membros da comitiva, Juliette os informou de que aquele homem era seu tenaz guarda-costas e membro das forças da Cidadela Templo de Elorian. Ressaltando que se não fosse por ele, certamente havia sido capturada pelos orcs, devendo a ele sua salvação.

Delgrin, estava inquieto, enquanto ajudava Rickster a cuidar do amigo e ouviu a tudo o que se passou a seu redor, pensou no que a mulher machucada havia dito e contemplando brevemente as cercanias a volta da comitiva imaginou uma maca para conduzir o homem caído. Sugeriu ao grupo que executassem o plano de retirada daquele local, quando o curandeiro declarou:

“- Eu conheço um atalho que poderá nos levar até a CTE e sei de um lugar onde poderíamos nos refugiar.”

Forflin perguntou se o homem era um rastreador, e ele respondeu que apesar de não ser um mateiro, era um bom conhecedor daquele território, pois estava sempre em busca de materiais para seus trabalhos como herbalista. Assim, após montarem uma maca, colocarem Brussel nela e observarem que Glader conseguiu caminhar se apoiando em Delgrin, partiram com os sobreviventes ruma ao caminho apontado pelo curandeiro.

O grupo seguiu pela floresta por um par de horas até chegarem num ponto mais escurecido pela densa vegetação. Nesse local, eles foram pegos numa emboscada organizada por alguns dos orcs remanescentes que haviam fugido do acampamento invadido, mas que foram se reunindo para darem o troco. As vis criaturas, sedentas por vingança, aguardaram um momento de descanso daquela comitiva, para ataca-los enquanto estivessem cansados da extenuante jornada carregando os prisioneiros e viram naquele local mais escuro o ponto ideal para seu ataque.

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Embosca orc

O combate foi violento, mas a comitiva ainda mantinha força para rechaçar os oponentes, durante a luta, a comitiva percebeu que apesar de terem que se defender dos adversários, lhes pareceu que os prisioneiros eram o verdadeiro alvo daqueles inimigos. A medida em que viravam a maré da luta contra os agressores, apesar dos esforços de Sigurn e Forflin, Alexander Brussel, inconsciente, teve a cabeça decepada por um macho orc. O orc, sentindo como se houvesse vencido a batalha, comemorou a morte daquele indefeso homem e declarou que os outros teriam o mesmo fim. Todavia, os orcs foram derrotados ao custo de muito suor, sangue e da vida ceifada de Brussel.

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Terríveis orcs emboscam os aventureiros.

Um dos orcs, devida a eliminação de seus aliados, praguejando muito se rendeu a Juliette, que juntamente com Delgrin, prenderam no com cordas. A comitiva começava a discutir o que fariam com o prisioneiro. Sigurn tentou interpelar o orc em busca de informações, enquanto os outros conversavam, mas tudo o que obteve foi um cuspe em seu rosto, já Juliette, foi ameaçada pela fera, que não iria colaborar. A ladina sugeriu que a comitiva o torturasse para obter as informações, Delgrin concordou com a ideia.

Sem haverem notado inicialmente a aproximação de Frida, por estarem dialogando sobre o que fariam com o orc, eles ouviram um breve e exasperado diálogo entre o ela e o orc, que culminou numa gargalhada sinistra do monstro.

De repente, a comitiva começou a ouvir o som de gritos abafados de dor provocados pelos chutes de Frida nas partes baixas do orc e quando ela puxou uma faca para atingi-lo foi detida pelos demais integrantes da comitiva. Ela estava ofegante e possessa, e ao ser interpelada por Juliette do porquê daquele rompante de fúria, a mulher, quase em prantos, disse ter sido vítima de tortuosas violências praticadas por aquele orc em particular e queria ir a desforra.

Aproveitando o estado de ânimos e ao mesmo tempo consternada com a outra mulher, a ladina olhou para ela e pensou que aquele seria o momento ideal para extrair do orc informações que julgou cruciais para a segurança da comitiva e voltando-se para ele, o olhou com frieza e com uma voz ameaçadora, disse ao orc:

– Se não nos contar aquilo que queremos saber, deixaremos que ela faça tudo o que estiver passando em sua cabeça. Acho que você não vai querer sentir isso, vai?

Assim, Juliette ameaçou soltar Frida sobre a criatura caso não lhe informasse aquilo que queriam saber. Dessa forma, ameaçado e sem alternativa, a criatura cedeu de má vontade da ladina e de seus companheiros, dizendo:

– Além de uns poucos covardes que se desgarraram pela mata e fugiram, infelizmente, não existe outros – fez um som de grunhido – Mas vocês pode estar felizes por ter vencido nós, mas Olhos Âmbar vai usar a elfa podre para acordar poderoso dragão da floresta. Quando ele fizer isso, as casas de pedra derreterão e todos vocês virarão cadáveres. Breve as trevas cairão sobre todos vocês! Vocês estar condenados! – Culminou com uma gargalhada funesta.

O orc nada mais disse, então Juliette olhou para Frida e fez um sinal afirmativo, liberando o espaço para a intervenção da mulher que assassinou o orc a sague frio com inúmeros golpes de sua faca.

Enquanto Juliette lamentava a morte do cavaleiro, o grupo percebeu que Glader havia piorando seu estado, porque tinha sido atingido durante o confronto. Rickster, alertando para a iminência de uma prestação mais aprimorada para recuperar o anão, sugeriu a comitiva:

“- Eu tenho uma sugestão. Antes de ser capturado pelos orcs, estava num vale não muito distante daqui, que fica na passagem para o caminho que havia lhes dito, lá fui atacado por um animal que me fez deixar todos as minhas coisas, equipamentos, mantimentos, e o mais importante, meu kit de curandeiro com as ervas que estava recolhendo. Caso queira que forneça um suporte mais adequado, até para curá-los, sugiro que sigamos até o vale para que recuperem meus pertences.”

Após ouvirem o curandeiro e começarem a ponderar sobre sua oportuna sugestão, alguns membros da comitiva limparam a maca para transportarem o corpo de Glader, outros abriam uma cova rasa para o corpo de Brussel, enquanto Forflin rapidamente formou uma lápide com dizeres em horaria ao falecido combatente de CTE. Os membros da comitiva fizeram um solene silencio a medida em que Juliette, Frida e Delgrin depositavam o corpo do finado guerreiro, sendo esse silencio quebrado pelas palavras gentis advindas de um poema das Montanhas do Escudo, recitado por Forflin.

Enquanto todos pensavam no novo caminho que tomariam, Sigurn olhou longamente para o curandeiro e pensou que jaula dos prisioneiros fora aberta havia reunido aquele grupo novos integrantes, mas ele não dizer se isso era bom ou não. O guerreiro anão suspirou, em descontentamento, enquanto tentou divisar a luz do sol por entre a espessa copa das arvores.

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9.1 Experiência

Geral:

1- Combates (orc = 4×100) Sub total: 400/7 = 57 ptos para cada pj

Criação e elaboração: Patrick, Alan, Ângelo, Sandro, Shin.
Autoria da logo de capa: Shin
Fontes de imagens: internet

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4 Comments

  1. patrino, bom relato, acho. já tem algum tempo que jogamos e tenho apenas uma vaga memória do ocorrido, mas da minha parte o relato parece fiel. Delgrim deveria contar as cabeças de Orcs esmagadas pelo seu martelo. rsrsrs

    Espero que finalizemos essa empreitada ainda esse ano! Let's Kill Some Fucking Oooooorrrcssss!!!

    ah sim, não entendi a conta do xp não… 800/7? 400 para o total de orcs ok, mas e os outros 400? e o dividido por7? esse 115 é individual?

  2. Se eu bem me lembro, cou Juliette que teve a ideia de intimidad e torturar o orc. Ela e Delgrim incitaram Frida a ir à forra até o orc abrir o bico. Faltou relatar as ameaças dele: um dragão será despertado pelo misterioso vilão de olhos âmbar com a ajuda da elfa cativa.

  3. Pronto senhores! Acredito que agora o resumo contemple seus apontamentos.

    Acrescentei mais alguns trechos no resumo Sandro.
    Quanto a distribuição dos pontos de experiência Fred, nesse trecho da aventura havia um erro que foi corrigido. A pontuação foi de 57 pontos de experiência para cada membro da comitiva

    Pelos apontamentos bem colocados para a correção, acrescentem 50 pontos (Sandro e Fred).

    Em breve enviarei mais um trecho para leitura e lembrança…

    Vida longa ao RPG!

  4. Opa! XP adicional é sempre bem vinda!

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