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A Trilha de Heróis – Viagem ao Norte

Esse é o resumo da sessão ocorrida no último sábado 08.04.17, com os jogadores Patrick Nascimento (interprete de Sandy Benelovoice) e Aharon (interprete de Erzurel). Acompanhando os personagens: Nybas Tyrangur e o herdeiro do trono dos cavaleiros Thrommel I.

Texto: Bruno de Brito

Sandy Benelovoice, Erzurel, Nybas Tyrangur e “Tom”, reuniram seus mantimentos, carne seca, aveia, arroz, sementes, corda, selas e sacos de dormir para a longa jornada que se anunciava. De posse de alguns fragmentos de mapas comprados na estalagem, em uma manhã fria, de céu cinzento partiram.

Ao todo o grupo conseguiu 3 cavalos leves. Sandy seguiu na garupa de Erzurel até se afastar algumas léguas da sinistra vila de Nulb, quando um assobio fino foi ouvido pelo dragonado Silvertite e a montaria da paladina veio ao seu encontro. Assim os 4 com suas montarias seguiram rumo a Hommlet ao sul para então seguirem em direção a noroeste – para Verbobonc através das Colinas Kron. Nybas estava um pouco incomodado por não ter saído de Nulb com uma rota clara, mas quando parassem, ele iria aproveitar para se organizar. Um soldado experimentado não viaja ao sabor da intuição.

Em um seleiro abandonado as margens da estrada rumo a Hommlet, Sandy escovava as escamas de Silvertite, enquanto Nybas e Erzurel traçavam em um papiro sujo e amarelado a rota até a Cidadela de Graylode. Usando outros 3 mapas fragmentados da região, o General da Armada do Lobo, o Nono Batalhão de Furyondy e o sacerdote de Pelor, definiam a rota.

Greyhawk_Jornada-379x600 A Trilha de Heróis - Viagem ao Norte

A rota do grupo

Em seu caminho dúvidas. Desceriam até Hommlet, viagem que lhes custaria cerca de 3 dias. Após Hommlet eles reabasteceriam e tomaria rumo em direção noroeste. Eles adentrariam na região leste das Colinas Kron, até Verbobonc, de onde atravessariam o rio até a pequena cidade de Ryemend. Até esse ponto, Nybas acreditava que a viagem duraria ao todo cerca de 16 dias (sem imprevistos). De lá seguiriam pelas planícies rumo as margens da Floresta da Mancha, onde fariam uma parada no Fiorde de Pantarn, em algum lugar em meio a planície até a Cidadela de Graylode. Deste ponto, o guerreiro estimava mais 22 dias, totalizando aproximadamente 40 dias de viagem. Depois até Chendl, cerca de mais 1 mês pela estrada dos cavaleiros.

Um total de 2 meses separava aquele grupo da Capital do Reino dos Cavaleiros. Era o local até onde era necessário levar o herdeiro de Furyondy. Essa era a sua missão, em verdade a missão de todo aquele grupo.

Ao fim, com as rotas definidas e já a noite, Erzurel realizou uma pequena prece pedindo salvo conduto e paz no caminho escolhido. Nybas em silêncio aguarda a oração do sacerdote terminar enquanto observa a paladina a cerca de 10m, e o seu príncipe dormir ressonante na palha próxima a uma fogueira.

Tanto estava nas mãos daquele grupo, e maduro guerreiro sentiu o peso de suas decisões.

O grupo avistou ao longe uma cidade em ruínas, a neve e o vento contribuía para marcar o aspecto de abandono e destruição acometido a Nulb, uma tempestade com raios e trovoadas anunciava no horizonte que choveria muito aquela noite, ainda que essa tempestade nunca tenha chegado de fato…

Greyhawk_Hommlet A Trilha de Heróis - Viagem ao Norte

Hommlet

Os Asseclas do Olho Ancião haviam quase destruído aquela cidade, e ainda que o fogo tenha varrido grande parte do teto das casas, e destruído a alvenaria de grande parte das construções, o seu povo teimava em encontrar forças para recomeçar. Investir e levantar bloco a bloco, tudo de novo, semear as plantas do frio e cuidar dos animais de pasto que sobreviveram ao verdadeiro apocalipse que se abateu a Hommlet.

Para Sandy, aquilo tudo representava esperança, para Erzurel renovação. E assim o quarteto chegou ao anoitecer na cidade. Foram recebidos pelo simpático e carismático anão Gilius Machado do Trovão. Na estalagem o grupo encontrou boa comida e calor contra o vento frio que soprava nos prados de Hommlet.

Greyhawk_Gillius-Thunderaxe-450x600 A Trilha de Heróis - Viagem ao Norte

Gilius Machado do Trovão

Gilius atualizou o grupo acerca do esforço das pessoas para recuperar a cidade, tarefa que aparentemente levaria meses, talvez anos. Mas havia ali força de vontade e persistência para alcançar uma qualidade de vida novamente. O anão comentara com o grupo que um rico fazendeiro de nome Filiken, havia reunido fazendeiros menores para formar uma caravana de carroças para buscar nas cidades de Kron e Vervobonc itens para restaurar Hommlet. Levando consigo moedas de ouro e objetos de valor nas carroças, Filiken espera poder obter madeira, ferro, animais e mão de obra revitalizar a cidade de Hommlet. Segundo o anão, a comitiva composta por aproximadamente 40 pessoas partira na manhã do dia anterior a chegada do grupo.

Cansados, o quarteto descansou, após se alimentarem e colocarem a prosa em dia. Sandy estava contente pelo rumo de ordem natural que a cidade iria seguir. Erzurel se sentia satisfeito por ter sido parte daquele esforço.

O grupo partiu logo cedo na manhã seguinte. Havia um vasto território de colinas para cruzar e o tempo parecia que somente iria piorar.

A viagem foi silenciosa na maior parte do tempo nos primeiros 5 dias. Entre si, Nybas, Thrommel, Erzurel e Sandy se conheciam pouco. Nybas era um conhecido comum entre os primos Benelovoice (Sandy e Gatts), Thrommel era um verdadeiro estranho, apesar de sua serenidade e tranquilidade, o herdeiro do trono parecia refletir continuamente, respeitando o silêncio da viagem, Erzurel ainda se sentia distante em seu retorno à vida a pouco mais de 1 semana. Seus poderes, sua força e sua fé haviam sido testadas em um outro plano, em outro tempo.

Foi Sandy que quebrou o silêncio a noite. Nybas havia preparado uma sopa a partir de ervas encontradas ao longo da jornada, e com elas, um pouco de carne seca, batatas e água, fizera uma sopa para o grupo. Elogiado, o cavaleiro de furyondês contou que aprendera com os companheiros de guerra a colher do solo durante as longas viagens do batalhão, e um foi partilhando o conhecimento sobre receitas e plantas boas para conseguir sustento nas intempéries da guerra.

E assim com o gelo sendo quebrado, Erzurel e Thrommel acabaram se envolvendo na conversa e a partir daí, o grupo ganhou uma maior leveza e simpatia.

Com Nybas e Thrommel já bêbados de sono e Erzurel meditando antes de ir para o sono, Sandy levou Silvertite sua dragonado, até uma colina próxima, para que a montaria pudesse dar tranquilidade para os cavalos que ficavam nervosos perto do familiar de dragão. Após passar certo tempo com Silvertite, Sandy retornou, não antes de receber um alerta do dragonado. A montaria havia visto movimentações no fim da tarde nas colinas próximas. Eram segundo o dragonado, grandes aranhas…

Agradecida pelo aviso, Sandy se preparou para pegar o primeiro turno da vigília. Foi quando ouviu o som do rolar de pequenas pedras do alto de uma colina. Foi o tempo de Sandy despertar o guerreiro Nybas Tyrangur do pesado sono, para ver que em outros pontos da colina, movimentos anunciavam uma aproximação hostil.

O som de Silvertite vindo dos céus em direção a um dos cavalos despertou os demais. O dragonado em um ataque aéreo aterrissou com toda sua força próximo a um dos cavalos, jogando terra para todos os lados, o grupo viu quando uma aranha do tamanho de um grande cachorro se esquivou do bote do dragonado. A aranha visava o cavalo enlouquecido por estar amarrado próximo a um predador.

O grupo levantou de sobressalto para notar que estavam completamente cercados por aquelas aranhas e mais atrás 3 outras maiores, com tamanho de um cavalo se aproximavam cautelosamente.

A aranha próxima de Silvertite tornou tentar atacar o cavalo, uma vítima mais fácil, e a besta conseguiu cravar sua mordida com sua peçonha sendo injetada no lombo do pobre cavalo que relinchou com dor. Silvertite contra atacou a aranha destruindo o aracnídeo com suas poderosas garras e mordida. Porém haviam outras, muitas outras nas proximidades.

Greyhawk_Aranhas-Menores A Trilha de Heróis - Viagem ao Norte

Aranha Média

Diante do combate Erzurel viu quando Sandy se lançou contra as aranhas a frente da clareira, garantindo uma proteção frontal, ainda que tivesse que lidar com cerca de 7 aranhas médias, e 1 grande, Silvertite estava na traseira com os cavalos. No meio Thrommel e Nybas se preparavam para enfrentar um grupo de 3 aranhas lideradas por uma das grandes.

O Clérigo de Pelor receoso pela condição da paladina, não pensou duas vezes, Sandy precisava de seu apoio. E foi avançando em direção a Sandy que ele viu quando uma terceira das grandes aranhas, acompanhada por um tipo diferente do grupo que atacava os heróis. Ela era albina com enormes patas e uma barriga de cor amarela intensa que imediatamente soltou sobre o clérigo de Pelor uma chuva de teias pegajosas. O sacerdote ainda tentou resistir, mas cada fio de teia que caia sobre ele, ficava mais dura e resistente. Apesar de tentar resistir a clausura, o sacerdote não foi mais forte, ele estava preso em um casulo de teias.

Sandy e Nybas viram quando Erzurel foi aprisionado e notaram a aranha albina de aspecto estranho se aproximando. Nybas precisava proteger os cavalos, e decidiu dividir esforço com Silvertite para neutralizar a ameaça ali. Thrommel invocou os poderes de Heironeous para abater a determinação dos aracnídeos, e se preparou para enfrentar seus inimigos.

Greyhawk_Aranhas-Grandes A Trilha de Heróis - Viagem ao Norte

Aranha Grande

Com as aranhas atacando selvagemente de um lado e com um aliado vulnerável contra os ataques das aranhas do outro, Sandy se viu em uma situação delicada. A decisão da paladina entretanto era óbvia, ela partiria para o auxílio de Erzurel, mas antes precisava desbloquear o caminho até o aliado.

Foi quando a líder dos aracnídeos se revelou a luz da fogueira até então envolta na penumbra da noite. Esta era diferente das demais. Com um aspecto mais primitivo, suas patas e corpo parecia protegidos por um tipo de exoesqueleto branco e pálido. Além disso seu abdômen era de um amarelo vil e de aspecto venenoso. As demais aranhas pareciam responder a trama de teia orquestrada pela aranha pálida e a sua primeira vítima foi Erzurel.

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A Aranha Albina

A aranha albina atenta ao movimento das demais “vítimas”, escolheu o clérigo de Pelor como a primeira delas para provar de seu veneno. A aranha grande como um cavalo debruçou-se sobre Erzurel que em pânico apenas testemunhou quando o predador pousou seus dentes carregados de peçonha no ombro do sacerdote, injetando-lhes uma quantidade perigosa de veneno. Erzurel resistiu com cada fibra de sua força, mas logo sentiu-se zonzo e com o corpo mole. Feito seu trabalho a aranha pálida observou quando a lâmina da paladina desceu sobre as teias que prendiam o sacerdote. E ao mesmo tempo que era libertado da clausura, Erzurel tombava em um estado inconsciente no chão.

Sandy viu quando a mesma teia que aprisionou Erzurel, recaiu sobre si. A aranha albina ansiava provar do sangue sagrado da paladina, e com êxito ela também foi paralisada.

Nybas e Silvertite chegaram quase ao mesmo tempo, vendo o amontoado de aranhas que estavam entre Sandy paralisada e Erzurel desacordado ao chão. O dragonado cobria o flanco da paladina, destroçando uma aranha após a outra. Nybas confrontava as demais e a líder, olhando a todo momento o combate de Thrommel contra as aranhas na retaguarda.

A experiência de combate do general da nona armada – Nybas, combinada com a selvageria enlouquecida de Silvertite, pusera fim, a todas as aranhas, e o solo da clareira ficou machado com um sangue viscoso e denso, de uma cor que era uma mistura de amarelo e vermelho.

Erzurel acordou tempos depois, sentindo uma forte dor no corpo, ainda sentia o veneno em seu organismos abatendo sua concentração e consciência. Após receber os cuidados de Thrommel, e verificar os ferimentos de um dos cavalos. O grupo se afastou do local, e a cerca de uma hora mais tarde armaram um novo acampamento.

Envolta da fogueira foi Sandy que falou primeiro:

– Erzurel, sei que você quis me ajudar no início do combate, mas sua fortaleza não é o combate de armas, é a luz abençoada de seu deus. Acho que em situações vindouras, você deve prezá-la considerando as circunstâncias em que estivermos. Eu e Nybas somos as frentes de combate deste grupo e você é nossa salvação. (risos).

Erzurel compreendeu e aceitou as palavras da paladina. Não havia muito tempo exatamente aquele gesto havia lhe cobrando um preço caro. Ele ainda sentia em sua alma a dor do veneno do demônio Bebilith, enfrentado no celeiro em Hommlet. Ele pereceu outrora para um veneno, e aquilo tudo parecia um castigo, uma sina. Mas estava decidido a não se abater novamente a mazelas similares. Pelor haveria de protegê-lo, ele memorizaria as preces corretas, e daria mais apoio ao grupo, indo ao fronte de batalha apenas quando não houvesse mais alternativas.

Thrommel colocou as mãos no ombro do sacerdote e perguntou-lhes se estava bem.

– Sinto-me melhor.

E antes que partisse para verificar Nybas, Erzurel indagou o príncipe:

– Que tipo de paladino é você? Vi utilizar um poder que nunca testemunhei. As ranhas ficaram visivelmente debilitadas frentes aquele poder.
Não sou um paladino, apesar de ser um guerreiro sagrado de Heironeous. Sou como você, mas aprimorei uma vertente mais sagrada do clericato, sem abandonar a capacidade de combate. Se quiser posso lhe orientar neste caminho.

E com uma resposta afirmativa, os olhos de Erzurel brilharam ante uma perspectiva de se tornar mais forte contra os inimigos que estava lidando desde Hommlet.

Erzurel vem de uma história ligada a Hommlet, mais precisamente a Casa do Foço. Ele havia sido capturado com um companheiro, seu nome era Darkus. Ele usava um tipo de poder o oposto de Erzurel. Enquanto o poder do sacerdote de Pelor visava trazer a luz onde quer que estivesse. Darkus se beneficiava das sombras, da escuridão. E foi justamente a má utilização das habilidades de trevas, que condenou seu companheiro na casa do foço…

E o grupo finalmente pôde descansar. Sem mais encontros a noite. Sandy sentia-se cansada, e quando suas pálpebras suavemente se fechavam, ela se sentia segura, pois estava encostada em algo que mantinha o olhar taciturno no acampamento e além. Silvertite aninhada de bruços com as patas cruzadas e pescoço ereto vigiava o sono dos companheiros de Sandy. Insone, o dragonado, por vezes observava Sandy e com um olhar de cuidado e ternura, pensava nas aranhas atacando a paladina…

O sol veio mais forte na manhã fria e o grupo acordou ouvindo o som da água chiando dentro de uma panela com água, quando Nybas colocava pedras quentes. e adicionando um pó marrom e depois coando, o guerreiro serviu café e pão duro para todos.

Aguardaram enquanto Erzurel e Thrommel concluíam suas meditações, reservando o poder divino que poderia ser utilizado naquele novo dia. E tão logo se puseram a cavalgar. Segundo os cálculos de Nybas, em menos de 4 dias chegariam a Verbobonc.

No fim da tarde Silvertite alertou Sandy de fumaça no horizonte.

A investigação levou o grupo até um cenário de destruição ao que parecia ser uma caravana, carroças queimadas eram as responsáveis pela fumaça vista de longe.
Apenas um sobrevivente, um dos sentinelas da caravana, um homem de nome Müeller contou aos aventureiros que gigantes vieram das colinas e atacaram a caravana. Ao fim da resistência, eles levaram cavalos, carroças e todas as pessoas que não os atacaram.

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O rastreador Müeller

Müeller havia sido encontrado por Sandy com uma de suas pernas prensadas na altura do joelho para baixo por uma carroça. Erzurel conseguiu dar tratamento adequado ao homem que teve parte de sua perna imobilizada e enfaixada. O homem relatara que foi contratado por um fazendeiro chamado Filiken e junto com outros mercenários seriam responsáveis por proteger uma carga de diversos materiais que seria pega em Verbobonc. Sandy, Erzurel e Nybas se surpreenderam com a informação. E cientes de que Hommlet dependia mais uma vez do esforço daquele grupo, alteraram a rota.

O grupo iria de encontro aos gigantes para libertar as pessoas e principalmente garantir que a missão de Filiken, seja cumprida.

Montes estreitos e escarpados revelavam ao grupo qye eles sairiam da estrada principal das Colinas Kron e se embrenhariam pelas Colinas Kron, lar de gnomos e gigantes…

Continua na próxima sessão.

A Trilha de Heróis – Viagem ao Norte
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2 Comments

  1. Show de bola este resumo! Descreve muito bem o desenrolar dos últimos acontecimentos com a comitiva dos Cavaleiros da Aurora Reluzente. Para Sandy Benelovoice, a intromissão dois gigantes da colina naquela área, mostra o oportunismo típico de seres covardes que se aproveitaram de uma situação para ganharem sobre a miséria de um povo sofrido. A paladina e seus amigos mostrarão a esses patifes o que é enfrentar pessoas cuja a grandeza de caráter e determinação podem sobrepor o tamanho de qualquer gigante vil.

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