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Seltyiel, o Rejeitado

Iniciando a série das classes básicas, O Magus entra em cena. Apesar de ser uma classe nova, o conceito do Guerreiro Mago não é nada novo nos jogos medievais, muito menos na fantasia dos jogadores. O Magus é a classe que pretende ser a base para os conceitos de arcanos combatentes. Seltyiel, o Magus iconico, tem uma história repleta de crueldades e abusos, ele é o primeiro icônico maligno, uma nota interessante e bastante condizente com seu hisórico. O Magus icônico foi anunciado no blog da paizo no dia 26 de Maio de 2008 como persogagem jogável na campanha A Segunda Escuridão. Texto original de F. Wesley Schneider.

Tradução: Fred Torres
Publicação: Fred Torres


Nascido em meio a gritos e desespero de uma mãe que morreria após o partoa, esse meio-elfo nunca veria a luz do dia se tivesse encontrado os ansiosos braços do padrasto. Num cruel truque do destino, as lágrimas de sua meio-irmã roubaram de Seltyiel a chance de uma morte rápida

Filho bastardo da Lady Phiauria Bhrostra com o ardiloso feiticeiro salteador Lairsaph – o infame Falso Príncipe da Floresta dos Sussurros de Cheliax – o meio-elfo foi concebido através través da perfídia e astúcia de seu pai biológico e era a prova encarnada da desonra e desgraça da família Bhrostra, que não tinha um herdeiro. Por cima de tudo isso, a família nobre era de tradição militar e por gerações caçavam os bandidos da Floresta dos Sussurros. A trágica morte de sua esposa no parto e o sonho frustrado de um varão herdeiro, levou Lorde Graham Bhrostra a beira da loucura e apenas as lágrimas e soluços de sua filha mais velha, contiveram sua espada. Pelos doze anos seguintes, a vida do jovem bastardo se resumuiu a um rio de lágrimas.

Criado por sua irmã Sioria, o jovem Seltyiel vivia uma humilhante ficção. De nome, ele era Lirt, órfão adotado que vivia sob a luz da grandiosa caridade da família Bhrostra. Entretanto, nas verdades sussurradas por serviçais e até por outros lordes em tom de chacota, ele era a prova viva da incompetência de Lorde Bhrostra como marido, senhor e homem. Plenamente consciente da desgraça da sua família, Lorde Bhrostra fazia questão de lembrar ao filho de sua esposa de seu ódio e desprezo por sua existencia através de frequentes surras que normalmete resultavam em ossos quebrados.

Duas semanas antes do décimo terceiro aniversário de Seltyiel, quando o jovem estava ainda acamado, recuperando-se de uma fratura tripla no braço, Lord Bhrostra, bêbado e enfurecido, invadiu o quarto de sótão do garoto. O meio-elfo mal podia se defender e apanhou violentamente antes de reagir. Num golpe de sorte, Seltyiel acertou Lorde Graham nas partes baixas, fazendo recuar aos cambaleios o pesado nobre até a escada, de onde caiu acertando meia dúzia de degraus. Ao olhar o corpo inconsciente de seu padrasto aos pés da escada, o ensanguentado e surrado meio-elfo fugiu para a Floresta dos Sussurros ainda naquela noite, sem sequer dar uma palavra a sua irmã.

Diga ao curador que ele pode ficar com a estátua. Mas que no futuro, evite adquirir objetos que desejados por cultos Infernais. […] Adeus Seoni, quem sabe um dia você possa me apresentar à vida noturna de Riddleport

(Seltyiel, Pathfinder Origins #3 – Seoni)

Por dias a fio, o jovem vagou pela floresta. Encharcado pela chuva, açoitado pelas vinhas, perseguido pelos animais selvagens e levado a beira da desnutrição, mas sua sorte inclemente não poderia deixá-lo nesse momento e ele foi encontrado por três salteadores sem cara de muitos amigos. Aterrorizado Seltyiel só conseguia pensar no nome que ouvira tantas vezes Lorde Bhrostra amaldiçoar: Lairsaph. Estupefatos, os bandidos arrastaram o garoto até seu pai.

Lairsaph riu por quase uma hora quando descobriu que Lorde Bhrostra criara seu rebento e por pura diversão acolheu o jovem em seu acampamento. O Falso Príncipe nomeou o garoto Seltyiel – uma corruptela do termo élfico para humor negro – e passou a procurar uma utilidade para o jovem. Nas semanas seguintes, o feiticeiro tentou fazer emergir, muitas vezes de forma cruel, alguma herança arcana que porventura houvesse no sangue do garoto, mas apesar de suas tentativas, não demorou para ficar claro que a magia não corria no seu sangue. Desgostoso, Lairsaph relegou o jovem às fileiras de seus mais baixos seguidores.

Na década seguinte, Seltyiel se virou como pôde entre os ladrões da Floresta do Sussurros. lívido, rabugento e magricela ele sofreu inúmeros abusos nas mãos da gangue de seu pai e enquanto Lairsaph e seus homens enriqueciam com a banditismo, o meio-elfo era relegado a tarefas inferiores e a vasculhar dentre os restos dos espólios. Com o tempo, o garoto cresceu, cultivando intelecto e sempre reservado, ele passou a guardar para si parte dos tesouros que os outros bandidos não tinham muito interesse, como as cartas, livros e registros que os comerciantes assaltados deixavam para trás. Com o tempo, aprendeu a ler e escrever, primeiro taldano depois outras línguas.

Beirando os vinte anos, ele fez a maior descoberta de sua vida. numa caravana saqueada encontrou um tomo surrado, um grimório com truques simples de magia. Seltyiel ficou obsecado com o livro e por anos a fio o leu centenas de vezes, memorizando cada linha, runa, símbolo, gesto ou inscrição, ganhando com o tempo algum controle sobre os truques alí inscritos.

Aos 23, o meio-elfo viu Lairsaph e seus capangas planejarem e executarem um ousado assalto. Os bandidos roubaram um vagão carregado com os impostos coletados nas propriedades da Majestriz do leste que iam  em direção a Egorian. Embora fosse muito esperto, o Príncipe Salteador não estava preparado para a rápida resposta da rainha infernal nem para a habilidade de seus caçadores. Meia legião de soldados cheliaxianos liderados por um Cavaleiro Infernal da Ordem do Suplício rastreou Lairsaph até seu acampamento secreto e transformou uma noite de comemoração em uma noite de fogo e sangue.

O ataque surpresa dispersou os seguidorSeltyel_Statblock-108x200 Seltyiel, o Rejeitadoes do Falso Príncipe, tornando-os presas fáceis para os soldados inimigos. Entre a fumaça do fogo e o som das armas em combate, Seltyiel se viu fugindo, para sua surpresa, ao lado de seu pai. por toda a noite, cães de guerra e o persistente Cavaleiro  perseguiram pai e filho. Lairsaph exauriu todas as suas magias na tentativa de conter o avanço do caçador armadurado, mas mesmo assim foram encontrados. Finalmente, sabendo que sua captura redundaria em um longa tortura seguida de uma dramática execução, Lairsaph se virou para seu filho, trouxe-o para perto de si e acertou seu joelho com o cabo da lança, destruindo a patela, abandonando-o ali para que tomasse seu lugar.

Sabendo apenas que os criminosos da Floresta do Sussurro eram liderados por um elfo, os soldados da Magistriz drogaram Seltyiel e o levaram para Egorian em grilhões. Por semanas o meio-elfo sofreu torturas indizíveis além de ataques mentais mágicos. Mas eventualmente, seus captores aceitaram o fato de que ele que aquele não era Lairsaph, o Feiticeiro Salteador, mas apenas um dublê do Falso Príncipe. Reconhecido como mais um bandido, o meio-elfo foi atirado numa das frias e úmidas celas das masmorras cheliaxianas por 5 longos anos.

Durante seu cativeiro, as vozes começaram. aparentemente vindas da escuridão da sua fedorenta cela, elas eram um alívio para o ódio que o consumia por dentro. Elas o lembravam do sofrimento e dos abusos de sua infancia, do medo, das traições do desprezo. Também falavam de um poder mágico antigo, mais antigo que os próprios deuses, falavam sobre caminhos para tesouros perdidos e suas risíveis proteções, além de criaturas que poderiam ensinar-lhe muito mais do que qualquer homem vivo.

Por muitos anos ele ouviu e sua alma se fortaleceu. Ele finalmente concluiu que qualquer coisa que quisesse, teria que tomar a força, com suas próprias mãos. Ele teria a influência e o poder de Lorde Bhrostra e inspiraria medo e respeito como Lairsaph. Ele teria sua vingança.

Em 4707, Seltyiel foi solto do cárcere. Frio e determinado, ele saiu de Egorian em direção a Coroaoeste, assassinando dois bandodos que conheceu no caminho com fogo arcano. Com as moedas que tomou dos ladrões, comprou uma passagem num navio sem saber para onde. Ele se vingaria, mataria os seus pais, mas antes, ele teria poder.

O próximo icônico é Alahazra, a profeta.

Fred Torres

Ilustração de Wayne Reynolds

Seltyiel, o Rejeitado
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3 Comments

  1. Foto de perfil de Patrick Nascimento

    Históricos de anti-heróis e de vilões costumam chamar nossa atenção, as vezes eles contém algum traço de característica que o leitor diariamente suprime, ou esconde ou gostaria de ter. O cara sofre muito, o que explica sua tendência, pois ele teve pouco ou nenhum referencial positivo. Curti bastante este texto! Parabéns ao autor original e ao tradutor e redator, que nos brindou com esta pérola.

    • Foto de perfil de Fred

      achei ele muito interessante patrick, dos melhores até agora. A paizo anotou esse pontaço com esse personagem icônico, e consegue, fazendo isso, dar um destaque às classes básicas. acho que eles tiveram um pouco mais de liberdade criativa do que as já sedimentadas classes nucleares, aguardem que tem mais!

  2. Foto de perfil de Bruno Santos

    Muito bacana msm. Vc sente pena do cara do inicio ao fim.

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