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Lirianne, a Filha do Meio

Armas de fogo são no mínimo controversas em jogos de fantasia medieval. O que muito natural, já que foi ela a tecnologia que tornou espadas, lanças e arcos e flechas completamente obsoletas. A classe Pistoleiro é aquela perita no uso dessa tecnologia em desenvolvimento e considerada por muitos muito poderosa. Acho que por isso, a tecnologia dos Pistoleiros concentra-se no Reino de Alkenstar, bem ao sul do mar interior, um lugar arrasado por anos de guerras arcanas. Sobre Lirianne, nossa nova Icônica, é interessante de antemão que sua história tenha sido escrita por uma mulher, o que dá um tom de realidade ainda maior à verossímil relação patriarcal de “proteção”. A Pistoleira icônica foi anunciada no blog da paizo no dia 28 de Julho de 2011, classe que seria lançada no Ultimate Combat, publicado em Agosto. Texto original de Crystal Frasier.

Tradução: Fred Torres
Publicação: Fred Torres


O maior erro do Delegado¹ Dahmok foi ensinara a sua filha do meio a ler. Depois da perda de sua esposa, o animado mas caprichoso elfo explorador –  que via dez anos e três filhos como um detalhe passageiro – esperava criar crianças caseiras, para que pudesse passar o maior número de anos possível que seu sangue élfico pudessem lhes dar. Mas mesmo assim ele percebia a cada dia que uma delas aos poucos se desviava de suas expectativas.

Enquanto sua mais velha, Suzeressa, se ateve as tarefas domésticas de administração das propriedades, e a caçula Milliceene seguiu o amor pelas ciências naturais, a filha do meio, Lirianne, se perdia por horas a fio nos contos de cavaleiros de armaduras reluzentes, fadas ardilosas e poderosos dragões – temas distantes de sua terra natal Alkenstar. Cercada por tijolos, fumaça e burocracia, a jovem meio-elfa crescia sonhando com promessa de aventura e fantasia retratadas na coleção de contos de fadas deixada por sua finada mãe, que crescia com suas próprias adições de romances sensacionalistas.

Naturalmente, ela desejava seguir os passos do pai, e tornar-se uma delegada¹. Sonhava em proteger Alkenstar dos gigantes e dos terríveis monstros mutantes do Deserto de Mana². Preferindo manter sua garotinha segura em casa, Dahmok pacientemente explicou que ela nunca poderia se tornar delegada, utilizando a primeira desculpa que lhe ocorrera. Seus amados cabelos longos se  enganchariam nos intricados mecanismos das armas de fogo. Mas na manhã seguinte, com queixo caído, se depararia com Lirianne com um sorriso de orelha a orelha, cabelos cortados grosseiramente e pronta para segui-lo para o trabalho.

Claro que sinto saudades de casa! Mais ainda há lugares pra ver e pessoas pra salvar. Eles podem esperar, são meio elfos, afinal…

(Lirianne)

Por vinte anos a pequena meio-elfa se desdobrou para cumprir cada um, dos cada vez mais insanos, requisitos impostos por seu pai. Seus colegas de escola a apelidaram de “a fantasma”, por seus sumiços frequentes para treinar saque ou estudar os manuais de instruções das armas. Tutores e governantas pensavam que ela era doente, algo na cabeça, já que ela passava mais tempo com o olhar perdido – redesenhando mentalmente os esquemas técnicos das armas – ao invés de dar atenção às suas lições. Muito antes dela ter idade para aventar um primeiro romance, ela já sabia construir e disparar um rifle, e conseguia reconhecer trajetórias complexas no olho nu.

Já velho e aposentado quando sua filha atingiria a maturidade, Dahmok não tinha mais como proibi-la de se juntar aos Delegados. Mas a influencia do velho patriarca ainda persistiria e em sua honra, seus sucessores a apontaram para serviços internos, resolvendo desavenças entre vizinhos na zona rural de Alkenstar, às margens da bastante segura estrada para Martel.

Dez anos se passaram e as maçantes mediações de disputas sobre água, fronteiras e brigas de bar minavam seu desejo por dias de aventuras como seu pai jamais conseguira. Por fim, esquecera de seus sonhos de infância, seus olhos, outrora cintilantes com a promessa de um excitante futuro de aventuras, tornaram-se opacos e frios sufocados pela infinidade dos pequenos detalhes do dia a dia.

Lirianne_Statblock-100-104x200 Lirianne, a Filha do Meio

Pareceu obra do destino, quando uma tempestade mágica soprou do Deserto de Chagamágica³, passando por Alkenstar e chegando em sua jurisdição. A rompante energia mágica, resultado de anos de guerras arcanas, distorcia espaço e tempo ao seu redor. Torrentes mágicas se lançavam em todas as direções, transformando areia em vidro, montanhas em vales e invocando bizarras criaturas do início dos tempos. Única Delegada das redondezas, Lirianne se pôs em ação. Enquanto os moradores da região se escondiam em suas casas, que eram transformadas em monstruosidades de madeira retorcida, peles e ossos, a Pistoleira lutava contra as aberrações criadas pela tempestade, até que um raio esmeralda a atingiu.

Encharcada, Lirianne acorda cuspindo uma água salobra que quase a afogara. Se encontrava numa praia que nunca vira, a vegetação a sua volta era ainda mais exótica, densas florestas margeavam as areias brancas, morros verdejantes de um verde tão intenso que lhe roubavam a fala. Vagando terra a dentro, se deparou com uma caravana assediada por fadas. As memórias de infância das ardilosas criaturas reavivaram uma chama dentro dela e ela se entregou ao combate com uma vivacidade há muito esquecida. Os viajantes, muito agradecidos, a forneceram todo tipo de suprimentos e informações que puderam, confirmando suas suspeitas de que a tempestade havia lhe transportado para o mundo dos cavaleiros em armaduras reluzentes, maliciosas fadas e poderosos dragões que povoaram sua mente durante sua infância.

Vagando agora pela estranha Avistan, Lirianne se esforça para conciliar seu encanto ao encontrar no mundo real a representação das suas fantasias de infância e sua dedicação, como adulta, à justiça. E além disso, sendo confrontada com sua “esquecida” ascendência élfica. Apesar de sentir saudades de sua família e da vida que levava em Alkenstar, ainda ha lugares a serem vistos e inocentes a serem salvos e Lirianne preferiria a maldição de todos os Deuses a falhar em qualquer uma dessas tarefas.

O próximo icônico é Feiya, a Bruxa

Fred Torres

Ilustrações de Wayne Reynolds (caixa) e Rhineville (topo)

*Traduções não oficiais*

¹ Shieldmarshal
² Mana Wastes
³ Spellscar Desert

Lirianne, a Filha do Meio
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1 Comment

  1. Muito legal essa icônica! Realmente um histórico muito bem construído. Parece que rolou um “Caverna do Dragão” com ela, só que ele gostou do mundo em que foi parar.

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