Adoro Samurai. A cultura japonesa me encanta muito e sempre o fez, mas os Samurai têm um lugar especial em meu coração. Uma pena que para o ocidente eles sempre tem que estar numa situação.. digamos, pouco usual. Imagino que seja difícil se aventurar quando se tem tantas obrigações. Seja como for, Hayato é personagem que parece interpretar seu código de forma peculiar, o que – se não o coloca numa vaga de samurai típica – dá a ele… opções… digamos. O Samurai Icônico foi anunciado no blog da paizo no dia 30 de Março de 2011, e foi lançado oficialmente no Ultimate Combat junto com a Pistoleira Lirianne e a Ninja Reiko. Texto original de James Sutter.

Tradução: Fred Torres
Publicação: Fred Torres


Honra é força. Essa é a máxima de Nakayama Hayato, ele a conhece desde que nasceu e está enraizada tão profundamente nele que a sente como parte de seu corpo, uma segunda pele. Entretanto, ele conhece uma verdade ainda mais profunda, assim como toda espada deve se curvar para que não quebre, o mesmo acontece com a honra. E quanto mais rígido o aço, mais facilmente ele se quebra.

Hayato nasceu como retentor na propriedade de Lorde Nakayama Hitoshi, há alguns dias a cavalo da grande capital de Minkai, Oda. Filho do falcoeiro chefe e sua esposa, Hayato – cujo nome significa “falcão” – rapidamente se mostrou hábil com as perigosas aves de seu pai, emulando sua natureza Feroz e orgulhosa.

Foi acompanhando seu pai em uma das falcoarias de Lorde Nakayama, que ele chamou atenção de seu senhor pela primeira vez. Aos oito anos, ele havia recebido a grande honra de auxiliar o filho do Lorde, Nakayama Masao, com seu falcão. Tudo ia bem até que Masao errou ao lidar com a ave e quase perdeu um olho por isso. Furioso, o pequeno lorde se preparou para matar o animal mas Hayato intercedeu, apontando os erros do garoto. Ainda mais enfurecido, Masao partiu pra cima de Hayato e deu-lhe uma tremenda surra, em resposta, o filho do falcoeiro apenas se curvou, sem chorar, nem pedir misericórdia, aceitando o castigo.

Quando o pequeno lorde finalmente se cansou, o próprio Lorde Nakayama foi até o garoto ensanguentado e lhe perguntou porque ele agira daquela forma, tão atrevidamente corrigindo um superior. Sem hesitar, Hayato se curvou e disse simplesmente, “porque era a verdade”.

Desse dia em diante, Lorde Nakayama pôs Hayato sob sua proteção, apontando o jovem para as obrigações da mansão, como companheiro de seu filho e dando para ele a melhor educação tanto marcial quanto intelectual. Com o tempo, Hayato se tornou um poderoso guerreiro, sendo escolhido para o cargo de Chefe Samurai da propriedade dos Nakayama. Quando Masao morreu bêbado em um duelo aos vinte, deixando seu pai sem um herdeiro oficial, o enlutado Lorde passou a ver Hayato cada vez mais como um filho, permitindo que ele adotasse o nome da família.Hayato_statbox-102x200 Hayato, Honra é Força

Mas a morte do herdeiro fora apenas o começo da derrocada da família. Pouco tempo após tal episódio, Nakayama recebeu a visita de Kaneka Yoshiro, um Lorde viajante, e um oficial do governo de alto prestígio na corte. Consideravelmente mais prestigioso e influente do que Nakayama, Kaneka foi recebido com grandes honrarias – entretanto, não demorou nada para se perceber que aquele visitante queria mais do que hospitalidade.

Em poucos dias, os insultos velados, as insinuações indecentes para com sua mulher, e as criticas diretas ao Lorde Nakayama (que Kaneka nem tentava disfarçar), deixaram Nakayama sem opções. Sua Honra o compelia a reagir àquelas agressões, entretanto, desafiar um oficial do governo era a mesma coisa que pedir a morte.

No fim, a honra prevaleceu (exatamente como Kaneka previra).  Nakayama desafiou Kaneka para um duelo e foi facilmente morto pelo hábil espadachim. Como forma de reparar o “insulto” que Kaneka sofrera, a Corte Imperial passou todas as antigas propriedade de Nakayama para Kaneka. Sua viúva, entre se resignar a ser plebéia novamente e casar-se com Kaneka para manter seu posto, escolheu a segunda opção.

Embora os Samurai Nakayama tivessem sido obrigados por decreto imperial a servir a seu novo mestre – e tenham recebido muitos presentes de Kaneka – Hayato entendia que o que se passara fora um roubo. Uma noite, depois de assistir os guardas de Kaneka beberem até desmaiar, Hayato se esgueirou até o quarto de seu antigo mestre e confrontou o usurpador ainda deitado com sua nova esposa.

Embora Kaneka tenha gritado por seus rententores, ficou claro muito rapidamente que sua única saída era lutar. Kaneka usou de todas as suas técnicas para que a luta acabasse o mais rápido possível, porém o jovem Samurai teria sua vingança. Cortado em diversas partes do corpo, seu sangue corria por sua pele até o chão, mas mesmo assim Hayato conseguiu uma brecha na defesa de Kaneka e com um fino espirro de sangue, pôs um fim ao breve domínio de Kaneka sobre as propriedades do falecido Nakayama.

O corpo de Kaneka foi ao chão, com sangue passando a escorrer por sua boca. Hayato pôs-se de joelhos ao lado do corpo sem vida. Sabia que a pena para ataques contra lordes era a morte (ainda mais aquele que era oficialmente seu senhor). Ele então sacou seu tanto¹, preparando-se para morrer com sua honra intacta.

Uma mão suave pousou sobre seus ombros e ele se conteve. Olhando para cima ele viu Lady Nakayama – agora Lady Nakayama – com seu vestido de seda de dormir amarelo manchado com sangue se seu último e falecido marido. Dos seus olhos brotavam lágrimas e entre soluços, ela agradecia a Hayato por ter vingado a morte de Hitoshi, devolvendo a propriedade da família para suas mãos.

Entretanto, as palavras seguintes que saíram de sua boca, condenaram o samurai. Tomando suas mãos – demosntração rara de afeto e familiaridade -, Lady Nakayama o proibiu que tirasse sua própria vida. O mandou então, numa caravana para Oda, com uma corda de moedas, sua armadura, espada e um comando, para que vivesse sua vida o melhor que pudesse. Os primeiros raios de sol encontraram Hayato numa caravana rumo ao norte, em direção às plagas congeladas da Coroa do Mundo². Dali partiria para as misteriosas terras do Mar interior³.

Aos trinta e poucos, Hayato é um homem endurecido e reservado. E embora tenha há muito aprendido a falar Taldano, ele mantém sua natureza direta, sempre com a impressão de que as pessoas nessa terra falam muito mas dizem pouco. Ele atua como mercenário – ou ronin, como costuma colocar – e tem a reputação de destemido e talentoso, além de escolher trabalhar em nome de causas que julgue justas e honradas e se recusa a se curvar a quem quer que seja, independente do status que goze, e se resume a dizer que já teve mestres o suficiente por uma vida.

Hayato é leal àqueles poucos amigos que conseguem irrelevar seu comportamento duro e carrancudo, e se mantêm secretamente em conflito interno com relação à sua honra. Manter-se vivo como ronin – especialmente depois de ter cometido crime tão grave – é vergonhoso, mas ignorar o comando de sua senhora o seria também. Sem uma resposta clara, Hayato suspendeu temporariamente o problema. Mas fundo em seu coração, ele guarda uma esperança, de voltar um dia através da Coroa do Mundo, encontrar os corruptos que assolam sua terra natal, restaurar sua honra, da sua família adotiva e o código samurai que nasceu para defender.

Hayato é o samurai icônico, a segunda e última classe alternativa. Semana que vem começaremos com as classes do livro Aventuras do Oculto, abrindo com  Mavaro, o Ocultista.

Fred Torres

Ilustrações de Wayne Reynolds (caixa) e Penn (topo)

*Traduções não oficiais*

¹ Adaga japonesa
² Crown of the World
³ Inner Sea

Nota interessante: O Ilustrador Wayne Reynolds e a paizo leiloaram a arte original de Hayato para ajudar o Japão na reconstrução pós Tsunami/Terremoto. Legal!

Hayato, Honra é Força
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